Aquela vizinha que dá um “bom dia” sincero no elevador, aquele rapaz solícito que informa as horas com um sorriso estampado no rosto, aquela moça na cantina que esboça uma conversa agradável enquanto espera ser atendida, aquele conhecido que divide uma bebida durante uma confraternização qualquer. Dia após dia, uma infinidade de pessoas maravilhosas passa pelas nossas vidas.
Destas, no entanto, poucas efetivamente estacionam em algum lugar. São as que, por um motivo ou por outro, atraem nossa atenção, despertam nosso interesse e que nos convidam a cativá-las ou que simplesmente nos deixam sem opção diante de investidas cativantes. Abrem-se aí possibilidades de amor (de amigo), diria Caio Fernando Abreu. Amigos-amores-amáveis vêm mesmo daí, de meras possibilidades. Caminhos cruzados ao acaso.
Do acaso, apenas isso. Todo o resto é tempo, atenção, interesse e cultivo. As palavras de carinho, os sorrisos sinceros, os abraços de cumplicidade e uma série de tantos outros “jás” que vão surgindo de maneira tão natural e espontânea que por vezes parecem preexistentes ao próprio encontro. Eis o paradoxo de dois estranhos que guardam no peito o sentimento de quem se conhece há uma vida inteira… e de quem, não satisfeito com isso, quer carregá-lo mais e mais.
Amizade não é isso mesmo?
*No dia do amigo, reedito esse texto em homenagem a todos os meus – e, em especial, àquele que deu um novo sentido a essas velhas palavras.

