Imagine, imagine o mar
e um barquinho no meio
velas, vento, tempestade
e o barquinho lá na maior
(Novos Baianos).
Até então, eu não sabia o que tanto me fascinava no mar. Foi só quando o leve balanço do meu barquinho conheceu a tempestade que consegui entender: mais do que o mar, era a força do mar que me atraia… e toda aquela agitação que se refletia em desequilíbrio dentro de mim.
Se, de fato, eu nunca fui muito afeita a uma calmaria sem ondas, de uns tempos pra cá, desaprendi a apreciar tudo que não fosse maremoto. Agora, mais do que nunca, transbordo intensidade em cada poro da minha vida. E, nessa água que extravasa daqui, deságuo em você.
Logo você que continua assim, barquinho. Pois é, imagine, imagine, imagine eu-mar… e você, apenas barquinho. Um insignificante barquinho, sem salva-vidas, sem nada, indefeso no meio do mar. Velas, vento, tempestade e você, apenas barquinho.

